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Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004
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O medo - não o tempo - é inimigo do amor. O medo - não a morte - é adversário da vida.
E empresto Lya Luft, nesta noite de chuva leve, de gosto de neblina no ar, de incenso pela casa, de pequeninas velas pelas estantes, onde o tempo é de calar e olhar a indistinta conversa das vozes que moram na minha alma esses dias.
A moça da floresta se deixa ficar, não mais alheia apenas, mas absorta.
Um instante de silêncio cheio de sons, de ouvir as marcas daquelas memórias. Antes de arriscar o próximo passo.
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[.6.]
posted by Diandra Taliasin at 9:40 PM
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Terça-feira, Fevereiro 24, 2004
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Estender os dedos e enlaçar aquela alma. Os olhos que me serenam, hoje, ontem, e num sempre contínuo de ondas que suavizam o tempo. A voz que engole os meus sentidos, que me quebra dentro dos muros fantasiosos que considerava seguros, e que apenas me escondem.
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[.0.]
posted by Diandra Taliasin at 2:22 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
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Ela é filha dos anjos e corteja a solidão. Feiticeira sem espelhos. O peito que explode, arrastado por cavalos selvagens. Enquanto o porto, que sempre a clamou, aguarda aquela volta.
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[.0.]
posted by Diandra Taliasin at 11:35 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
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Porque ela conta estórias que ele não se permite. E escolhe esquecer.
:. Da Série Letras Esparramadas:.
Te respondo, não do meu mail de casa, de onde gosto de me derramar em letras, mas deste mail de trânsito, quando estou entre cidades, entre tempos, entre horas e quero alcançar os que guardo com carinho dentro do cristal da alma.
Queria ter o dom de te deixar alegre, mesmo à distância. Mas sei que nem sempre isso é possível, que nem sempre é desejado, que nem sempre é real. Porque também somos feitos de tristeza, de melancolia, de angústias e dúvidas. Somos feitos dessa matéria árdua e quente, que nos molda e nos empurra, às vezes docemente, às vezes com rispidez.
Não te quero triste, não te quero angústia, não te quero atribulando a alma de questões. Poderia te dizer, ou arriscar mil frases, dessas que são pescadas nas horas de riso e conversa e sempre terminam no desencana, ou no não quero falar sobre isso. E por isso não as digo, e me calo.
Porque tem coisas que não se precisa explicitar... Tua escolha de não dizer, talvez de não pensar, talvez de não ser o instante, com tudo explodindo ao mesmo tempo e tão naturalmente e tão rápido, que em um segundo o que era cotidiano, o que era cômodo, sai rodopiando, como um pião nas mãos de um menino, girando fora do eixo, rodando os sentidos de prisma. Minha escolha de não querer mais descobrir o porque, ou de explicar racionalmente, talvez tenha a ver com isso. Tenha a ver com mergulho, tenha a ver com essa inundação de sensações, de gostos, de desejos, de carinhos, de empatias, de telepatias, de sentidos, de amor. Tenha a ver com tempo certo e gosto diferente. Com não haver espaço e não caber em planos. Não vou me dar ao trabalho aqui de ficar explicando, que eu sei que você vai entender qualquer frase que eu estiver usando, portanto, deixo o - porque sei que voce não vai entender errado - para trás e apenas escrevo.
Você sempre pode voar, moço. sempre. Porque nada no mundo te prende, nunca, nem mesmo a vida, que apenas nos liberta para que vaguemos pelo tempo, do modo como quisermos. Somos nós que escolhemos o barco, os tripulantes, o tipo de vento, o destino. Sempre nós, e isso é o belo da vida: sermos responsáveis pelos encontros que temos, pelo que escolhemos guardar, pelo que escolhemos soprar nos braços de uma doce brisa de verão. Nós escolhemos nossas máscaras, nossas camisas de força, nossos portos seguros, nosso conforto do retorno à casa. É sempre nossa a escolha de sentar na mesma carteira todos os anos, porque isso nos traz segurança, nos traz o conhecido, nos traz o que foi construído, o que foi acalentado, o que foi desejado e lapidado com o passar dos dias.
Como escolhemos mudar o corte de cabelo, o estilo de roupa, arriscar o passo de uma nova música, o gosto de uma outra fruta.
E sempre a mesma questão: permitir-se. Ousar. Arriscar passos. Sem que isso tenha que significar a perda do que era legitimado antes, sem que isso signifique perder o que éramos, perder o que nos é caro, perder o que é significativo e construído com zelo e carinho durante o passar da vida.
Muitas vezes o risco é calculado. E tantas vezes ele sai do controle. E de novo, e sempre, questão de escolha. Questão de peso - entre o conhecido e o novo, entre o cultivado e o rompante, entre o guardar e o arriscar perder. Só não se sinta cansado. Não se deixe ficar estático e mesmerizado, respondendo apenas ao fluxo da correnteza. Guarde nos olhos o que é turbulência, traga de volta o sorriso no rosto, deixe a pele sentir o gentil toque desse sol, que te lembra o verão e as férias. E seja você. Seja inteiro. Porque os que te amam não te merecem pela metade.
Se eu estivesse mais perto, passaria os dedos nos teus cabelos, te daria um sorriso meio menina, meio fada, e te diria - vai descansar, meu anjo. A moça daqui sopra um beijo nas asas desse vento quente, de beira rio, que me sufoca e me arrebata, e escreve na areia, com linhas de fogo, a estória desses encontros, para que o moço saiba que, por mais que seja estória, por mais que seja instante, a memória vai ser sempre marcada.
E sempre esse tempo é eterno, porque sabe que vai morrer.
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[.2.]
posted by Diandra Taliasin at 10:30 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004
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E ao toque ele se entrega. E o corpo não se desfaz na cama, como as bocas pintadas que passam incólumes. A cama se transmuta em alma. Ele mergulha e se entrega. E perde. O tempo, os olhos, a pele, a fera.
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posted by Diandra Taliasin at 8:04 PM
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Domingo, Fevereiro 15, 2004
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E tudo que posso oferecer é isso. Esse beijo desterrado.
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e a toque _ a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras _ e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome, porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
A cruamente distraída, Clarice Lispector.
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[.2.]
posted by Diandra Taliasin at 4:45 PM
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Feeling today:
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:: Sons
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:. Diary of Dreams - Flood of Tears
:. Dave Matthews Band - #41, Say Goodbye
:. Rufus Wainright - Poses
:. J.S.Bach - Cello Suites
:. Cordas,sempre, tanto e mais, cordas
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:: Letras
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:. As Aventuras de Um Violoncelo
- Carlos Prieto
:. Siddartha - Herman Hesse
:. The Dragonriders of Pern - Anne McAffe
:. Fernando Pessoa - Obra Poetica
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:: Memorias
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