Na Floresta do Alheamento
      Divagações sobre um tempo etéreo...
      Devaneios imaginários da vida cotidiana que nos engole...

      " ... e que não tardeis tanto quanto o quebrar das almas , no intocável silêncio do desespero."


Sábado, Novembro 30, 2002

Porque sempre passa muito tempo do tempo que desejamos.

Porque sábado, o domingo adormecido.

Porque o violão ecoa nas paredes. Esboços que serão tantas lembranças vazias no branco calado de mais ausências.

Porque a cada instante, os olhos perdem o brilho, a voz ganha a rouquidão do cansaço do corpo, da placidez do desprendimento da alma.

Porque as guerras deixam de ser anseios de vitórias e, borboleteando, voam como páginas de um livro há muito escrito.

Porque o carro dá voltas nas ruas esquecidas e redescobre espaços perdidos, e desenha arquiteturas cobertas de novas luzes.

Porque eras não trazem o que foi, e séculos ainda não serão.

Porque o espalhar-se na janela embebe o corpo do horizonte que esta cidade abraça.

Porque o azul que o sonho busca está ali, despojadamente parado na esquina que não existe.

Comentários [.2.]               posted by Diandra Taliasin at 11:23 PM
Quarta-feira, Novembro 13, 2002

Os dias são revoltos e o tempo se parece à cortina do meu quarto, que se desfaz nos fios e abre o espaço da luz.
Faltam horas para a serenidade de apenas sentir, de apenas deixar-me aqui, imersa, desperta, alheia, completa.

Por entre os olhos que quase se fecham no despertar dessa madrugada, encontro o presente do encanto que se enconde em uma terra de muitas palmeiras.

Se me falta a voz, ele me dá o tom de sorrisos que teimo em buscar por aqui.

Enquanto os instantes se perdem num alfarrábio de atribulações, me aninho nas estrelas que sopram beijos aos que tanto quero bem.

Stand by

Desde ontem
Tenho nas mãos
Este algo inacabado
Que desfaz nos dedos
Planos para o amanhã
Em troca deste algo
Tudo ou nada permanece
A vida paira insaciável
Num vôo que segue leve
E me vem quando em vez
A voz do vento
Um en (canto) perene
Que me enfeitiça a alma

Clivânia Teixeira

Comentários [.11.]               posted by Diandra Taliasin at 11:05 PM
Quarta-feira, Novembro 06, 2002

Formas

De um único modo se pode dizer a alguém:
" não esqueço você".
A corda de um violoncelo fica vibrando sozinha
sob um arco invisível
e os pecados desaparecem como ratos flagrados.
Meu coração causa pasmo porque bate
e tem sangue nele e vai parar um dia
e vira um tambor patético
se falas no meu ouvido:
" não esqueço você".
Manchas de luz na parede,
uma jarra pequena
com três rosas de plástico.
Tudo no mundo é perfeito
e a morte é amor.

Adélia Prado

Porque ela como eu, gosta do som das palavras.
E ao perguntar-lhe num encontro este ano, que palavra estava dançando em sua mente, ela sorri e escreve: Espírito.

Comentários [.6.]               posted by Diandra Taliasin at 7:05 PM
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