Na Floresta do Alheamento
      Divagações sobre um tempo etéreo...
      Devaneios imaginários da vida cotidiana que nos engole...

      " ... e que não tardeis tanto quanto o quebrar das almas , no intocável silêncio do desespero."


Sexta-feira, Julho 26, 2002

O dia de cansaço e correria transmutou-se em risos dentro do estúdio.

As imagens que a câmera tentava captar, fugiam dos frames e corriam pelo chão de tábuas amarelas, brincando com a lâmpada verde e a gama de cores nos rostos e roupas de tons indistintos.

Era a festa do congraçamento.
E era a pergunta, meio tímida, meio calada, embrulhada nos olhos curiosos.
O que a alma almeja no final do expediente?

Comentários [.4.]               posted by Diandra Taliasin at 12:18 PM
Quinta-feira, Julho 25, 2002

Porque quando meus olhos fogem, eu os encontro em espelhos alheios?

O tempo corre e engole o gosto da calmaria.

Eu queria olhar pela janela e avistar a cerejeira de flores róseas, embebendo a tarde em tons de um almíscar dourado.


Comentários [.3.]               posted by Diandra Taliasin at 1:31 PM
Quarta-feira, Julho 17, 2002

Tem sempre uns encontros que são tão intensos que parecem perenes.
E o gostoso é saber que cada instante em que estamos juntos, é o único e absoluto tempo de viver o que somos.

E a música que era básica, que era zonza, se veste de tons em um quarteto de sétimas, nonas, terças e oitavas.

E o casamento da menina de nariz arrebitado, toma corpo de conto de fadas.

Comentários [.7.]               posted by Diandra Taliasin at 12:53 PM
Terça-feira, Julho 16, 2002

A primeira vez que me apaixonei por ele foi ao vê-lo cantar.
A blusa de gola rolê branca, o jeito meio tímido, meio luz.
A voz gostosa, quente, daquelas que envolve em um carinho, quase ardente, em meio à claridade da igreja.

A segunda vez que me encantei por ele veio derramada em seus olhos.
Aquele olhar manhoso, malemolente, que te devora e te aninha.
Olhar de mundo, íris de fogo.

E nesse nosso tempo, sempre meio torto e muito forte, estivemos tanto perto e mais que longe.

Um gato que tomou o trem antes da estação nos trouxe novamente o presente de sermos cúmplices.

Hoje, agora, aquele cristal que ele carrega na alma, disfarçado no pingente de prata que ele traz ao pescoço, o carregou ao olimpo que ele tanto queria.

Eu torço por ele. Corro pela casa, danço um balé meio louco no corredor, ouço pela décima vez a mensagem na secretária eletrônica.
O moço amigo do quarteto irmão.

Sorrir, quando for para chorar.
Cantar e fazer desse canto instrumento brilhar.

E eu me fascino todo dia, cada dia, com esse menino homem mais lindo, da voz de sonho, do riso amplo, dos olhos que sorriem.

Porque dele é o dom verdadeiro.

Comentários [.3.]               posted by Diandra Taliasin at 12:42 AM

A madrinha aqui fecha os olhos e imagina a cena doce da menina na janela.
E lembra da vitrine de bebê, da pequena que dormia embaixo da mesa, da mãe com boá de penas vermelhas parecendo um leãozinho, e sente saudades de não estar aí.

Isso era um comment para a minha Laetitia, para a minha doce Driana dos olhos meigos. Mas a lembrança veio tão forte, que derramei por aqui também.

O doce florescer de uma borboleta. A alegria nos olhos e riso da menina que é só vida.

Comentários [.3.]               posted by Diandra Taliasin at 12:06 AM
Segunda-feira, Julho 15, 2002

Eu pensei no filme. Esbarrei em uma outra página.
Achei em um blog desses perdidos entre listas e listas.

E não cabe no dia. Eu não quero que caiba no dia.
O dia é de continuidade e eu sei disso.

Mas a sensação de suspensão é sempre aquela que mais me incomoda, aquela contra a qual duelo, aquela que me faz dilacerar a força que for, o tempo que for, a crença que for.

Porque essa é a constante guerra inglória.

DEPOIS DA VIDA

Em uma estação intermediária, num ponto qualquer entre o céu e a terra, pessoas mortas recentemente são apresentadas aos seus guias. Durante os três dias seguintes, estarão escalados para ajudar os mortos a vasculhar suas memórias em busca de um momento determinado de suas vidas, uma boa lembrança, um marco em suas existências. O momento escolhido será recriado em um filme, que será uma espécie de lembrança que levarão consigo em sua passagem para o paraíso. Mas, além do choque dessas pessoas ao saberem que estão mortas, resta ainda uma tarefa difícil: escolher o momento mais importante de suas vidas, aquilo que deverá ser gravado para sempre e que servirá como o exemplo de suas vidas passadas.

Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 12:15 AM
Quinta-feira, Julho 11, 2002

Estava aqui viajando pela rede de pequenas teias tecnológicas, quando me perdi e me encontrei dentro do tempo.
E meus olhos vagaram pelo espaço infinito que desdobrou-se par em par ante a tela, ávidos por descobrir o que escondia cada uma das frases, das linhas, dos desenhos.
Um encanto que havia perdido há muito tempo, açambarcado no plácido instante de reencontrar amigos e queridos sonhos, perdidos num mar cotidiano de erros e obstáculos.
Lembrei-me de um menino, em um café savanah da vida, proferindo a sentença que me acompanha sempre que me perco dentro de mim e nos outros: O sol é a ponta do baseado de Deus.
Um flamejante coração, uma alma dorida e imbatível aparece então entre as sombras, como o cristal de uma Efeméride, guiando os homens nos seus caminhos, na eterna busca de compreendermos o que somos, no incansável desvelar dos nosso desígnios.
Ao alcance dos dedos febris está tua voz.
A minha também.

Comentários [.2.]               posted by Diandra Taliasin at 6:11 PM
Quarta-feira, Julho 10, 2002

Porque toda história tem uma música, toda música tem uma fábula, toda fábula conta um amor, todo amor rasga uma alma.
E toda alma voa.

Dessa vez, peço teu perdão
É de coração
Leia meu olhar.

Um belo dia, perdi a calma, feri um anjo
Nossa estrela se turvou.

Dessa vez, leia em meu olhar
Quem te fez chorar, roga teu perdão.
Eu fui embora, não levei nada, fui pelo mundo,
Deixei contigo meu amor.

Viajei pelo litoral
Casas e quintais, matas e marés.

Um belo dia, inesperado, incontinente
Um deus alegre nos juntou
Se for verdade, será um sonho.
Leia meus olhos, meu amor.

Comentários [.6.]               posted by Diandra Taliasin at 8:19 PM
Terça-feira, Julho 09, 2002

Os olhos da menina séria espreitam, da janela, os carros que em pressa passam zunindo.

Os olhos da menina doce, debruçada à beira do lago, acompanham os passos e traços do mundo debaixo d´água.

Os olhos da menina radiante rasgam os véus do céu e despem a lua, que agora brilha suavemente sobre o corpo prostrado.

Comentários [.4.]               posted by Diandra Taliasin at 10:54 AM
Segunda-feira, Julho 08, 2002

O belo é o idiosincrático, o que é único. A expressão quando se olha ao longe, a pequena curva de uma ruga inscipiente ao franzir os olhos, o mesmo movimento de tirar o cabelo do rosto com a mão esquerda. Pequenas coisas.

Os pássaros acordaram cedo, e seguem cantando aqui na minha janela. Acho que compuseram uma sinfonia especial, em pleno inverno, a aquecer corações, a sacudir poeiras, a colorir o horizonte.

Algo assim, que diga que o frio vibra. Que a serenidade do branco que domina o céu tem uma força absurda e reconfortante.

Comentários [.3.]               posted by Diandra Taliasin at 11:48 AM
Sexta-feira, Julho 05, 2002

De vez em quando me vejo imersa nas lembranças de um tempo em que nossas vidas pareciam mais tranquilas, quando miradas do prisma dos nossos dias de hoje.

Memória

De onde vem esta memória, revelando mundos
revirando tudo, como se fosse um tufão?
A varrer cuspindo entulhos
num erguer e demolir de muros
nas esquecidas e despovoadas ruas de meu coração?

De onde vem esta memória
às vezes festa, às vezes fúria
num abrir a fechar de portas
louca procura de respostas, mistura de murmúrios
fonte de delícias e torturas?

Onde anda, agora, essa memória?
No mundo da lua, brincando de soltar subterfúgios
a ficar na sua, se fazendo de surda e me deixando assim
um dia, um ser perdido em lutas e outro
um pobre menino
a flutuar sonhos absurdos?

Onde anda essa memória
a que horas chegará, como sempre, obscura
com suas preciosas falhas
que recolho agradecido
para traçar o rumo das minhas canções?
Velhas histórias, memórias futuras?
sei de onde vem, já sei por onde andou
saiu para trocar de roupa, não pode andar nua.

(Paulinho da Viola)

Comentários [.2.]               posted by Diandra Taliasin at 11:58 AM
Quinta-feira, Julho 04, 2002

Ela tem um olhar distante, um riso febril.

Entre as saias rasgadas, as coxas morenas tiram azares.
O pano na cabeça fora um lenço. Hoje frangalhos de memórias, dejetos de cores que se perderam entre quilômetros marcados no passo.

A boca é um esgar. Uma máscara ininterrupta que devora o ar e devolve disconexas palavras.

Ela vaga, à procura. Em caça de não estar consciente. Atrás da pedras, do monumento, do pombal.

Fora um instante. Um descuido. Aquele sorriso da moça que passara por ela, aquele brilho desconcertante que lhe esquentara o corpo.

Apenas um furtivo segundo.
E ela perdera a dor do tempo.

Comentários [.5.]               posted by Diandra Taliasin at 12:56 PM
Terça-feira, Julho 02, 2002

Meus lírios hoje são o sorriso do povo, banhado de sol.

Meus olhos são a imagem indelével da celebração.

Amanhã, o passo volta ao ruminante cotidiano. Voltamos às nossas mazelas, a nossa incompletude, ao nosso aprendizado, às nossas diferenças.

Mas hoje, o céu de terça, de um azul que não existe em outro lugar, brindava as almas com o mágico instante de uma só voz, um só coração.

Somos uma Nação flamejante, nos traços de uma bandeira.

Comentários [.4.]               posted by Diandra Taliasin at 7:26 PM
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