Na Floresta do Alheamento
      Divagações sobre um tempo etéreo...
      Devaneios imaginários da vida cotidiana que nos engole...

      " ... e que não tardeis tanto quanto o quebrar das almas , no intocável silêncio do desespero."


Quinta-feira, Março 28, 2002

O cheiro do chá de maçã emoldura as luzes que brilham pela janela.
A cidade inteira dorme.
O céu dorme.

E nós, sentados nos altos bancos da cozinha, esperando mais um amanhecer embebido em palavras que marcam o silêncio.

Comentários [.2.]               posted by Diandra Taliasin at 11:21 PM
Quarta-feira, Março 27, 2002

uma noite ainda tem o céu azulado de verão, não chove e eu chego em casa. antes de tirar os sapatos e ouvir Gal por uns instantes, a mão viciada procura a caixa e encontra o que sempre espera

uma carta

uma carta como outras, que conta histórias incrivelmente como outras já contaram, circular e infinitamente mesmas, e esta carta, como outras, me traz neste momentozinho coisas que só ela, nenhuma outra, poderia trazer. Me faz lembrar que a história recomeça e termina todo dia, que "chegar e partir são só dois lados da mesma viagem".

é que a carta que recebi hoje, com sua letra desenha e firme, me disse tanto que transbordou, não coube tudo em mim e eu corri para minha máquina (desculpe a aparente frieza, mas adoro estas teclas), e não cabendo, deixei entornar em outra carta.

Ouro Preto, Belo Horizonte, esquinas, madrugadas sem sono, recitar Pessoa, Gonzaga, música de Milton, Gal e Benjor. Passaram-se sete anos, Menina, sete, cabalístico como poucos, o número dos ciclos, do retorno. E sete anos depois, um ciclo inteiro depois, uma lorinha vem me perguntar como nasceram os nômades. Ora, como se debaixo de tais caracóis loiros ela não soubesse, e se insistir em achar que não sabe, conto de novo como quem nina, que não há jeito melhor de contar mil vezes a mesma história.

Os nômades nasceram quando estavam em BH, numa viagem despretenciosa, e foram para Ouro Preto, e descobriram que tinham muito em comum no passado, que amavam cidades e que amavam entrar e sair das cidades, e perderam o sono por que a ansiedade de conversar era grande, e principalmente, muito principalmente, ao longo de alkahol, livros, cidades, estradas, hinos, descobriram que seus planos eram, como cada um deles esperava, muito bons.

se qualquer semelhança não for mera coincidência, que venham cartas, beijos, sorrisos, cidades, pessoas, lágrimas, cerrado, montanhas e mares, agasalhos sungas e bikinis, samba, chuva, suor, cerveja e sonhos. Assim se faz, assim se fez, assim faremos de novo e sempre.

Guardo a Pampulha e a "sua" igreja, onde os azulejos azuis dançam ao som da minha saudade.

Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 10:38 PM
Terça-feira, Março 26, 2002

Mesmo com Santo Percival brincando de comer e esconder as diminutas peças, Voilá!
O Mapa encontra-se feliz e completo, repousando em cima da mesa.
Espero que dessa vez nenhum imprevisto derrube um dos cavaletes e arremesse 3.000 pecinhas pelo chão.

Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 4:29 PM
Segunda-feira, Março 25, 2002

Sei que despertei e ainda durmo.
O corpo envolto em sono profundo, e a alma, este ser absurdo, voa e brinca pelos ares, como uma criança a correr no parque, atrás de uma borboleta.

Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 8:02 PM
Domingo, Março 24, 2002

Ele insistiu em ir ao parque de diversões.
Tem medo de altura, então, roda gigante só se for olhando para baixo e sem girar o carrinho.
Qual a graça de subir tão alto e não rodopiar com o mundo?
O sol inclemente do meio da tarde de início de outono convida a uma volta no tal tobogã de água.
Mas o motivo do parque é outro, nada relacionado com os brinquedos.
Ele procura, entre as barracas, o rosto conhecido:
- Cada bolinha derrubada é um chiclete?
- É sim, senhor.
Um sorriso enorme aflora.
- Quero 80 tiros.
A moça, que acompanhava tudo calada, assiste a preparação. Os chumbinhos colocados na pistola (vou dar dez tiros de graça pro senhor, viu), o posicionamento, a concentração dele ao mirar nas bolinhas que flutuam em cima de um jato de água.
A batalha começa.
A cada estampido, um chiclete colocado jocosamente sobre o balcão.
Ela, ainda quieta, vai arrumando-os em fileiras de cinco.
90 disparos depois, 53 chicletes sobre a mesa.
- É, ainda não perdi o jeito, diz ele, displicentemente.

Uma sacola de chicletes ploc na mão, ela olha as pessoas no parque.
- Posso fazer o que eu quiser com os chicletes?
- Claro. São seus.

Ela sorri, encantada. Caminha pelo parque e vez por outra para um casal, ou um pai com crianças e distribui os doces.
Mas o sorriso maior se dá quando encontra o palhaço.
Ela gentilmente pega sua mão, enchendo-a com os retângulos coloridos.
- Pro senhor. Brigada por nos fazer rir.
O homem dentro da fantasia, meio em surpresa, meio em alegria, balbucia a gratidão frente ao gesto inocente.

Ela se distancia, caminhando como se pisasse em nuvens.


Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 10:23 PM
Sábado, Março 23, 2002

Compenso minha inépcia em informática com rascunhos de palavras que podem não fazer nenhum sentido para o leitor comum e tão incomodado com a falta de originalidade que caminha pelo mundo.

Não me proponho a grandes tratados sobre a genialidade humana. Nem consigo, por mais uma incapacidade pessoal, derramar aqui situações e fatos dos meus dias.

Delineio aqui apenas um espaço de letras perdidas.
Aquelas que nos tiram do cotidiano monótono em que nos imergimos tantas vezes.
Aquele instante em que você olha pro lado e simplesmente vê.

Hoje derramo aqui Titãs, que me lembraram de conversas e encontros.

Epitáfio (Sérgio Britto)

Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 11:27 PM
Quarta-feira, Março 20, 2002

Quote do dia.

I love mankind. It's people I can't stand.

Saudoso Schulz.

Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 11:15 PM

Ela dança e rodopia insanamente pela casa, com o gato de olhos amarelos como parceiro.

Na mesa da sala, três mil peças esperam o instante de serem mapa, centenas de laudas descansam displicentemente introjetando as anotações das margens.
O telefone reclama, a televisão segue seu dialógo periclitante.

Alheia a tudo ela dança e gira.

O que me assusta na cena são os olhos vazios.

Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 7:47 PM
Terça-feira, Março 19, 2002

Vivemos em um mundo cínico.
Um mundo cínico.

Comentários [.3.]               posted by Diandra Taliasin at 12:11 PM
Quinta-feira, Março 14, 2002

Gafanhotos.
Uma que no entanto são duas.
Similares e díspares, como meus olhos. Olhos de meninas.
Menina de olhos gafanhotescos.

Comentários [.2.]               posted by Diandra Taliasin at 8:51 PM

Ela andara resmungando sobre o quanto queria um violoncelista.
Em um desses lances surreais, até apareceu um delivery que prometia mundos e fundos, mas o produto solicitado estava em falta.

Continua o quest por um cellista.

Um devaneio meio despropositado no cair da noite.

A lua anda linda, redonda e absurdamente clara no céu esses dias. Espero que voce tenha tido a oportunidade de vê-la.
Tenho ouvido muito Piazzolla nas horas de calma.
Continuo absolutamente fascinada pelo som dos acordes de um violoncelo, mas tenho que reconhecer que o Al Di Meola tocando Histoire du Tango é algo indescrítivel.

Café 1930 executado pelo Yo Yo Ma é um sonho em notas.
Mas a sinfonia completa ao som do violão magistral é um caminho de nuvens e leveza.
Nightclub 1960 é digno de ser ouvido enchendo a casa inteira com seu movimento fluido.
:)
Desculpa a intromissão nos dias corridos.
Mas precisava dividir isso com alguém que apreciasse também.

Comentários [.2.]               posted by Diandra Taliasin at 8:45 PM
Sexta-feira, Março 08, 2002

Acabei de descobrir o azul mais perfeito dos últimos tempos, em um daqueles garrafões de água Indaiá de 20 litros.
Obrigada Indáiá e companhia seiláqual de fabricação de plástico azulzinho, pela cor mais sublime que seria possível desejar.

E o movimento da água dentro do espaço conciso, como aqueles globos de água com neve, tão considerados kitch.

Comentários [.5.]               posted by Diandra Taliasin at 11:35 PM
Quinta-feira, Março 07, 2002


   Marina
Ela estava rindo, instantes atrás, quando lhe disseram que sua arte era o desapego. A desconexão quase budista.
Talvez não para tanto.
Mas arraigado nela mora um sentido de passagem. De estrada. De não se prender a canto nenhum, ou gente nenhuma.
De ser intensa e fervorosa. Quase explosiva.
E depois ser cinzas e vento que as leva pra longe.

Talvez uma fênix urbana e contemporânea.
Talvez pré-cambriana e perdida na era errada.

Olhou a mesa no centro do quarto. Livros, papéis embaralhados e caixas. Caixas de cartas. Cartas de gentes queridas. Queridas e passadas. Passadas e tão vivas em suas histórias presentes. Um mar de fogueirinhas queimando, como diria Galeano.

Folheou várias, montes, inúmeras. Baldes de palavras que contam instantes de uma vida que pode ser dela, sua, minha ou do homem que passeia com o cachorro pela quadra.

E escolheu uma, que sentou-se com ela a beira da janela, banhada pela lua. E, imersa nessa meia luz amarela, derramou sua fábula:

" Amigo,
Desculpas não são necessárias. Respeitar e prezar alguém é não esperar desculpas, pois o turbilhão dos dias carrega cada um de nós a lugares inesperados e díspares, a cada instante.
Desta mesma maneira, não existe frustração. Esse sentimento pequeno e egoísta carrega dúvidas, ansiedade e desesperança, e acredito que ele não tem nem lugar , nem tempo naquilo que hoje guardo comigo.
Existe, bravo e forte, apenas o zelo. Que vem sempre imbuído de carinho, honra, transparência, e eterno, respeito.
Teu silêncio cala e tantas vezes no tempo em que pudemos conviver, ele foi capaz de falar mais alto que qualquer palavra escolhida, ou mensagem exaustivamente elaborada.
Mas, desta forma, todo silêncio cala e fala. Não és único, nem estás sozinho nesta imersão em ti mesmo, e a singela fala que posso ter para ti agora é que sigas em paz com o que hoje vivencias, e que alcances o que buscas, para que finalmente tenhas a serenidade e a completude que tanto anseias.
Todos os dias começamos uma nova história. A cada segundo construímos um novo passo. Normal e cotidiano sentir-se estático, estagnado ou sem forças. Há tanto atropelando e diminuindo os sonhos que guardamos. Nessas horas, eu, que não sou exemplo pra ninguém, nem pretendo sê-lo, apenas tomo tempo para sentar e olhar para cima, e admirar o céu maravilhoso que cobre a minha cidade, e deixo-me banhar um pouco com a luz cálida que dele emana.
Terás também teus próprios instrumentos de recriar forças. Mas são teus, e apenas tu saberás reconhecer quais são. Meio óbvio isso não é?
Assim como teu silêncio é só teu. Minha mensagem anterior não tinha sentido de cobrança, nem disfarce de pirraça de criança para conseguir um pirulito. Muito pelo contrário. Vinha como aceno de compreensão do teu estado de "mudez emocional-amigatíscia" (perdoe-me o assassinato da língua flor do láscio). Sei o quanto é dificil para ti escrever, quando crêes que deves dizer coisas significativas e não apenas non-sense de beira de esquina. Como sempre, você sabe como e quando chegará este instante, e com certeza, aqueles que te querem bem estarão aguardando para sorrir com tuas linhas.
Apenas, ainda mantemos o hábito comercial de trocar palavras de felicidade em datas previamente estipuladas. Mais uma máscara imposta a nós pelo sistema social em que nos encontramos.
Quanto ao blog, não é, nem pretende ser um diário. Não tive vocação para isso quando adolescente, nem espero tê-la nos meus trinta anos. Surgiu apenas como um exercício de escrever mais, de não deixar passar em branco histórias e estórias que compõem meus dias ou dançam em minha alma. Leia-o se quiseres, e eu me sentiria muito feliz em que compartilhasses isso comigo. São fragmentos de pequenos devaneios que passam por mim. Ás vezes os humores refletem o que sou naquele instante, outras vezes são apenas o espelho de sensações que já passaram.
Não me magoa dizer, e espero que não te magoe ouvir, que não conheço quem és hoje. Não é uma dor, nem uma reclamação, mas apenas uma constataçao, explicitada mesmo por ti, de que mudamos e crescemos nos últimos tempos. Creio que também nao saberias quem sou eu, ou os outros que chamamos de amigos. Essas são nossas escolhas e nossas linhas escritas em suor, sangue, lágrimas, sorrisos, encantos e realizações. Mas são nossas estradas. Nossos exclusivos domínios. Contudo, não esqueças jamais que o sentimento que envolve cada uma destas pessoas e que as conecta de forma sutil e ímpar é o mesmo, e mantém os fundamentos e as raízes que tão laboriosamente foram cuidadas e nutridas.
Portanto, o segredo aqui é o futuro. O que queremos fazer com o que temos e como vamos fazê-lo. Te disse uma vez, e volto a repetir: um dia o tempo trará todos de volta, e jantarás com teus amigos e sentarás a ver brincar pequeninos fulanos, beltranos e ciclaninhos. E serão outros tempos. E seremos outros nós. Mas, se esta for a nossa escolha, permaneceremos amigos, irmãos de caminhos, ligados por um fio resistente e irrisível.

Releio esta carta e o tom parece formal. Não era isso o que eu almejava, mas esse foi o lirismo que saiu. Agruras dos que escrevem com a alma e passam em cima de um muro de racionalismo até atingir o papel.

É apenas uma mensagem de: seja feliz, siga em frente e não perca nunca a força que tanto brilha em ti.

Meu gafanhoto te diria faitô. Eu te digo : coragem.

Quando quiseres conversar ou simplesmente balbuciar pensamentos disconexos, eu estarei por aqui, como tantos outros que te querem bem.

Sopro lírios que faço chegar as estrelas, amigas dos longínquos espaços, para que perfumem os dias do anjo azul e do violonista que são carinhos que guardo comigo.

Marina
(Do latim, "do mar". A mulher que vem do mar)
Para onde ela vai?



Comentários [.2.]               posted by Diandra Taliasin at 7:28 PM
Sexta-feira, Março 01, 2002

Just figured it out

Sou um tango.

Comentários [.1.]               posted by Diandra Taliasin at 8:41 PM
Feeling today: The current mood of tinuviel@brhs.com.br at www.imood.com
:: Sons
:. Diary of Dreams - Flood of Tears
:. Dave Matthews Band - #41, Say Goodbye
:. Rufus Wainright - Poses
:. J.S.Bach - Cello Suites
:. Cordas,sempre, tanto e mais, cordas
 
:: Letras
:. As Aventuras de Um Violoncelo
    - Carlos Prieto
:. Siddartha - Herman Hesse
:. The Dragonriders of Pern - Anne McAffe
:. Fernando Pessoa - Obra Poetica
 
:: Memorias
 
A-PORTA

This page is powered by Blogger. Isn't yours?